biografia

"A busca da cirurgia plástica emana de uma finalidade transcendente. É a tentativa de harmonização do corpo com o espírito, da emoção com o racional, visando estabelecer um equilíbrio que permita ao indivíduo sentir-se em harmonia com sua própria imagem e com o universo que o cerca". Professor Ivo Pitanguy.


Ivo Pitanguy é mineiro de Belo Horizonte. Começou a cursar medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais e formou-se pela Faculdade de Medicina do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro. Durante a infância e a adolescência, sua paixão eram os livros, a pintura, a poesia, a natureza e o esporte. A paixão pelas artes Pitanguy herdou da mãe, Maria Stael Jardim de Campos Pitanguy, uma mulher sensível e culta, que lhe deu quatro irmãos: Ivan, Ivette, Yeda Lúcia e Jacqueline. A vocação pela medicina só surgiu após o término dos estudos secundários, por influência do pai, o cirurgião-geral Antônio de Campos Pitanguy.

Primeiras influências

“A Medicina dá a satisfação de ser útil. O médico traz a esperança”, dizia Antônio de Campos Pitanguy. Movido por este desejo de “triunfar sobre a doença”, Ivo Pitanguy começou a traçar o próprio destino. O primeiro passo foi o curso de medicina na Universidade Federal de Minas Gerais e depois a Faculdade de Medicina do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde se formou no final da década de 40.

A arte de viver

Assim como a anatomia, fisiologia, bioquímica e outras matérias básicas da profissão, sua visão humanística e a procura por conhecimento de forma abrangente foram fundamentais para sua formação como médico. Uma amorosa base familiar e a sólida amizade da turma de Belo Horizonte, como Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Hélio Pellegrino, moldaram os alicerces de uma personalidade marcada pelo prazer do convívio com seus semelhantes e por uma curiosidade permanente. "A vida me ensina a cada dia. Acho que o triste de morrer é parar de sentir esta vontade de sempre conhecer um pouco mais. Procuro harmonizar minha vida entre cirurgias, aulas e conferências, sem abrir mão do prazer de viver", diz.

A família Pitanguy

Este prazer de viver Ivo Pitanguy compartilha com seu clã, a quem carinhosamente denomina de “tribo Pitanguy”. Casado com Marilu há mais de 50 anos, Pitanguy sempre fez do esporte um forte elo com os filhos Ivo, Gisela, Helcius e Bernardo. Ao longo dos anos, os momentos disponíveis do médico para o lazer têm sido intensamente desfrutados com a família em sua casa, na Gávea (RJ), em sua ilha em Angra dos Reis (RJ) ou em Gstaad, na Suíça. Com os filhos já adultos, Ivo Pitanguy acompanha com orgulho agora o crescimento de seus netos, Ivo, Antonio Paulo, Mikael, Pedro e Rafael.

Amigo da natureza

Se quando pequeno Pitanguy levava uma jibóia pendurada no pescoço pelas ruas de Belo Horizonte, hoje essa paixão pelos animais ainda perdura. O nome Pitanguy, inclusive, significa "rio das crianças" em tupi-guanari. "O convívio direto com a natureza é simplesmente vital para minha existência, meu bem-estar, minha harmonia", atesta. Foi este sentimento ecológico que o motivou a criar um santuário na Ilha dos Porcos Grande, em Angra dos Reis (RJ), onde desde a década de 70 preserva diversas espécies em extinção.

A busca do conhecimento

No final da década de 40, a cirurgia plástica ainda não era reconhecida como uma especialidade e os jovens cirurgiões encontravam muita dificuldade em adquirir o conhecimento necessário para a prática da profissão. Os obstáculos motivaram Ivo Pitanguy a participar de um concurso do Institute of Internacional Education. Contemplado com uma bolsa de estudos, partiu para Cincinatti, em Ohio (USA), na condição de cirurgiãoresidente do Serviço do Professor John Longacre, no Bethesda Hospital (1948-1949). Na mesma época, frequentou a Mayo Clinic, em Minessota, e o serviço de cirurgia plástica do Dr. John Marquis Converse, em Nova York. De volta ao Brasil, e com a criação do 1º Serviço de Cirurgia de Mão na América do Sul após a temporada na América, Pitanguy foi imbuído pelo desejo de pôr em prática a experiência adquirida. Apesar das dificuldades estruturais e econômicas encontradas no país, atuou na 19ª enfermaria como chefe do Serviço de Cirurgia da Santa Casa – o primeiro de cirurgia de mão em toda a América do Sul (1949) –, devolvendo dignidade e esperança a muitos pacientes carentes e vítimas de deformidades.

Os grandes mestres

Um ano mais tarde, convidado por Marc Iselin, um dos criadores da cirurgia de mão e referência no atendimento aos mutilados da 2ª Guerra Mundial, Pitanguy foi para seu serviço, em Paris, como visiting fellow (1950-1951). Também na capital francesa, frequentou os serviços de cirurgia plástica dos Professores C. Dufourmentel e R. Mouly, e do Professor Paul Tessier, em Surèsnes. Ainda na Europa, por meio de uma bolsa do British Council, Ivo Pitanguy teve a oportunidade de aprimorar e amadurecer sua formação como cirurgião plástico nos serviços de dois mestres da cirurgia plástica: Sir Harold Gillies e Sir Archibald McIndoe, na Inglaterra.

Um dos pioneiros

Quando voltou novamente para o Brasil, Pitanguy percebeu que o exercício da cirurgia plástica ainda era incipiente no país. Trabalhou incansavelmente para tornar a especialidade mais conhecida e respeitada, atuando como chefe do Serviço de Queimaduras e de Cirurgia Reparadora do Hospital Souza Aguiar de 1952 a 1955. Em 1954, passou a chefiar o Serviço de Cirurgia Plástica e Reparadora da Santa Casa, ainda agregado à 19ª enfermaria. Cinco anos mais tarde, devido ao número elevado de pacientes, a Santa Casa cedeu o espaço da 8ª enfermaria para o serviço.

Professor titular do Departamento de Cirurgia Plástica da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e do Instituto de Pós-Graduação Médica Carlos Chagas, Pitanguy integrou a Clínica à 38ª Enfermaria da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, implantando uma estrutura pioneira de formação profissional e de ensino. Desta estrutura faz parte o curso de pós-graduação em cirurgia plástica, com duração de três anos, que já formou mais de 500 profissionais do Brasil e de 40 países.

Possibilitando também o acesso aos benefícios da cirurgia plástica à população menos favorecida, o trabalho na Santa Casa ressalta a importância social da especialidade. Por sua iniciativa neste campo, Pitanguy foi agraciado pelo Papa João Paulo II com o Prêmio Cultura pela Paz. A Unesco, através do Instituto Internacional de Promoção e Prestígio, lhe concedeu também o Prêmio pela Divulgação Internacional da Pesquisa Médica, além dos diversos títulos e honrarias (ver relação completa em distinções nacionais e estrangeiras).

Membro de entidades acadêmicas e culturais respeitadas, Ivo Pitanguy é autor de cerca de 800 trabalhos científicos em revistas brasileiras e internacionais e publicou uma série de livros. A obra Plastic Surgery of the Head and Body foi premiada na Feira do Livro de Frankfurt e se tornou uma importante fonte didática e científica.

Hoje, além das cirurgias que realiza em sua clínica, Ivo Pitanguy apresenta conferências e ministra aulas a convite de universidades e entidades médicas do Brasil e de outras partes do mundo.

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